Sinop, 30 de Setembro de 2019

Grafites são alvo de críticas de vereadores e um deles é apagado

Imagem: http://censuranaarte.nonada.com.br (Foto: Drielkson Ribeiro/Divulgação) / Imagem: https://g1.globo.com/ (Foto: Laércio Romão/TVCA)

Dois grafites realizados durante evento na cidade de Sinop (MT), que tinham o intuito de revitalizar espaços públicos, são criticados por vereadores e podem ser apagados [1]. Um deles, de autoria do artista Matias Souza, retrata o rosto da ativista ambiental Greta Thunberg e é vandalizado três dias após sua confecção. Por cima do grafite, escreveam: ‘Lula tá preso babaca’ [2]. A outra obra, do grafiteiro Raiz Campos, ilustra o cacique Raoni Metuktire, ativista da proteção dos povos indígenas e da preservação ambiental [3]. Campos afirma que a escolha se deu em razão das várias chacinas contra indígenas na região do Xingu, que se situa no estado do Mato Grosso [4]. Os grafites desagradaram os representantes do agronegócio da região e, durante sessão da Câmara dos Vereadores de Sinop, os parlamentares criticaram as obras [5]. De acordo com o vereador Hedvaldo Costa (PR), os grafites são uma forma de classificar os produtores rurais como ‘destruidores dos índios e da natureza’ e os artistas ‘quiseram trazer suas ideologias para o patrimônio público de Sinop, ofendendo a administração da cidade’ [6]. O diretor de Cultura de Sinop diz que a imagem de Thunberg será apagada e substituída por uma arara ou um peixe local, com relação ao grafite de Raoni, ele afirma que vai depender do interesse dos organizadores do evento em apagá-lo ou não [7]. O diretor também defende que não há censura, pois o objetivo era reproduzir a fauna e a flora da região, e que o apagamento é uma forma de evitar novos atos de vandalismo [8]. Os grafiteiros lamentam o ocorrido; Souza ressalta que é um momento ‘delicado’ no país e que os ‘ânimos estão aflorados’ [9]. No dia 04/10, o grafite de Greta Thunberg é apagado, mas o do cacique Raoni é mantido [10]. Vale lembrar que o presidente Bolsonaro chamou Thunberg de ‘pirralha’ quando a ativista denunciou o assassinato de indígenas guajajaras no Maranhão [11] e afirmou que o cacique Raoni era usado como ‘peça de manobra por governos estrangeiros’ durante a Assembleia Geral da ONU [12]. Ademais, o governo federal promove o desmonte das políticas ambientais e de preservação dos povos originários, através de discursos [13] [14] e atos legislativos [15] [16] [17].

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Análises sobre o caso

Leia a análise sobre o porquê dos eventos citados serem um desrespeito à liberdade artística, sobre a trajetória de Greta Thunberg, Raiz Campos e do cacique Raoni.

O Grafite de Greta Thunberg, um desrespeito a liberdade artística Por que a ativista Greta Thunberg é alvo de tanto ataque A cultura regional na arte urbana do artista “raiz” A trajetória de Raoni, da amizade com Sting à crítica de Bolsonaro

Fontes