01 de Abril de 2018

Guarda Municipal destrói tapetes de serragem em homenagem à vereadora Marielle Franco e ao jovem Igor Mendes, a pedido da Prefeitura e da paróquia

Durante a semana santa, guardas municipais pisoteiam e destroem tapetes coloridos de serragem que são tradição nas ruas de Ouro Preto nessa época [1]. Um dos tapetes homenageava a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro no dia 14 de março de 2018 [2], e o outro homenageava o jovem Igor Mendes, morto a caminho de um show em Ouro Preto por um policial militar em setembro de 2017 [3]. O autor da arte que faz referência à vereadora afirma que um comandante da guarda municipal informou que teria que retirar a obra porque ‘o tapete é um patrimônio’ e que a temática desenhada não era católica [4]. O autor diz que a atuação dos guardas é ‘ilegal’ e que agiram com ‘abuso de poder’, o que se relaciona com ‘a questão da Marielle que se posicionou contra a violência policial e arbitrariedade’ [5]. A prefeitura declara que a Guarda foi orientada a não permitir a confecção de tapetes com motivos políticos ou outros que não fossem relacionados à Semana Santa e que o requerimento veio da paróquia da cidade [6]. Ainda, a prefeitura complementa que os guardas desfizeram a arte da forma como era possível no momento e que a ferramenta que possuíam eram os próprios pés [7]. Em nota, as paróquias Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Pilar dizem que os tapetes devocionais se direcionam, única e exclusivamente, para o Santíssimo Sacramento e que a ação em conjunto com a Guarda buscava manter a ‘tradição em respeito à finalidade primeira dos tapetes’ [8]. Complementando, as paróquias escrevem que ‘os tapetes, por sua motivação religiosa, são inapropriados para manifestações político-partidárias, ideológicas e de homenagens a pessoas’ [9]. No ano seguinte, novamente a Guarda Municipal destrói tapete de serragem em homenagem à vereadora [10]. Em outros momentos, embaixador brasileiro boicota evento que homenageava Marielle Franco em Paris [11] e funcionários da EBC afirmam que estão proibidos de mencionar a ex-vereadora em programa [12].

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