15 de Novembro de 2021

Presidente da Fundação Palmares chama Zezé Motta e Djavan de ‘artistas desocupados’ e ‘pretos vergonhosos’ por manifestações antirracistas

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, compartilha nas redes sociais fotos dos artistas Zezé Motta e Djavan vestindo camisetas do movimento ‘Imagine a dor, adivinhe a cor’ (campanha de diversas instituições de direitos humanos que discutem pautas antirracistas) e declara que ‘Não existe nenhuma dor (angústia) exclusiva e específica dos negros por causa da cor da pele. Quem acredita nisso é racista ou um completo imbecil. As emoções dos negros são comuns a todos os seres humanos. O monopólio racial do sofrimento é uma invenção de artistas desocupados!’ [1]. Camargo também chama os artistas de ‘pretos vergonhosos’ [2]. No dia seguinte, Zezé Motta lamenta e rebate os comentários, a atriz afirma que ‘somos nós que lutamos todos os dias para que a ‘nossa’ Fundação Palmares, continue com a filosofia, ideologia e a linha de ação política implantada, que tanto lutamos para que fossem instauradas’ e defende que existe uma ‘dor ancestral, uma luta’ que ‘não vai acabar tão cedo, devido à ‘contribuição nefasta’ de certos tipos’ que promovem o ‘retrocesso’ e favorecem os ‘jogos de interesses’ [3]. Em seguida, Camargo continua fazendo publicações, dessa vez com a foto de Caetano Veloso usando a mesma camiseta, com os dizeres de que não é ‘escravo mental do Caetano’ e o chama de ‘falso grande artista’ e ‘babaca’ [4]. Após a repercussão negativa, o presidente da Palmares exclui as postagens [5]. Em outros momentos, Camargo criticou o diretor Wagner Moura por filme sobre Carlos Marighella [6] e o diretor Lázaro Ramos pelo filme ‘Medida Provisória’, que conta a história de uma distopia racial [7].

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