Juiz de Fora, 10 de Fevereiro de 2022

Prefeitura suspende intervenção cultural após críticas nas redes sociais

A performance 'Praia' insere-se na programação de releitura da Semana de Arte Moderna de 1922 e busca questionar a forma como os cidadãos lidam com diferentes corpos.

Prefeitura de Juiz de Fora (MG) suspende a apresentação da intervenção cultural ‘Praia’, que ocorreria dois dias depois, e do evento ‘Paz, Amor e Liberdade’; ambos fazem parte da programação de releitura da Semana de Arte Moderna de 1922 [1]. De acordo com a Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania, a decisão ocorre após o setor de inteligência identificar ‘riscos elevados de turbulência social com ameaças à integridade física dos artistas e demais pessoas nas ruas da cidade’ [2]. Essas apresentações poderão ocorrer após serem reprogramadas para um local que preserve a segurança urbana e o direito à livre expressão cultural [3]. Dias antes, houve a primeira apresentação da intervenção ‘Praia’ que, de acordo com a diretora do projeto, tinha o intuito de criar um cenário de litoral que propiciasse questionamentos acerca da forma como os cidadãos lidam com a exposição de diferentes corpos [4]. A apresentação ocorreu no Parque Halfeld, um dos locais mais movimentados do centro da cidade e gerou polêmicas nas redes sociais [5]. Em razão disso, o vereador Bejani Júnior (Podemos) protocolou um documento solicitando informações sobre o uso do dinheiro público; para ele o caráter da apresentação foi ‘muito negativo para a população’ [6]. De acordo com a diretora da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), entidade responsável por organizar o processo seletivo de projetos que receberão incentivos financeiros, a escolha das propostas é feita pela Comissão Municipal de Incentivo à Cultura (Comic), composta por pessoas da prefeitura e da sociedade civil [7]. A Comic se manifesta sobre as críticas justificando o dinheiro gasto e afirmando: ‘Àqueles que querem aprisionar a cultura e a arte nos grilhões do pudor e da mediocridade, queremos dizer: desistam! A arte é incontrolável e, mais que nunca, o Brasil precisa dela’ [8]. Em outros momentos, obra foi retirada da Pinacoteca de Porto Alegre por ser ‘inadequada’ [9], a Galeria Municipal de Balneário Camboriú fecha exposição por imagens de nudez [10] e Fundação Cultural de Brusque apaga pintura em razão de críticas nas redes sociais [11].

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