São Paulo, 27 de Janeiro de 2022

Cantor lírico negro é abordado pela Polícia Militar de forma truculenta, sem justificativa

Dentro de seu carro, o tenor Jean William contemplava o mar quando foi abordado aos gritos e com armas apontadas para si

Durante a travessia de balsa entre as cidades de Santos e Guarujá (SP), policiais militares abordam o tenor Jean William, que estava em seu carro acompanhado de um amigo [1]. De acordo com o cantor, ele estava sentado no bando do motorista de seu carro da marca Jeep, considerada como de alto padrão, quando um policial militar apontou uma arma para seu rosto e ordenou que ele descesse do automóvel com as mãos erguidas [2]. Não houve justificativa sobre o motivo da abordagem e o cantor indignou-se com o ocorrido, pois estava apenas sentado observando a paisagem sem apresentar nenhum risco [3]. Após sair do carro, os policiais questionaram aos gritos se o automóvel era dele, se já tinha sido preso e se levava drogas, e revistaram o interior do veículo [4]. Eles também questionaram se Jean William havia ‘feito alguma coisa diferente’ enquanto dirigia, ao que o cantor respondeu que pouco antes de ingressar na balsa tinha desviado de um caminhão na estrada e um dos PM’s afirmou que esse poderia ter sido ‘o motivo de ter vindo uma denúncia’ [5]. O tenor afirma que sentiu medo e constrangimento e que a abordagem sofrida ‘é uma humilhação’ [6]. Após denunciar o ocorrido nas redes sociais, o cantor é procurador pelo ouvidor da polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, que pediu mais informações; a PM afirma que não há registro de denúncia formal sobre o caso e que seus procedimentos se baseiam em princípios legais [7]. Jean William conta que foi abordado em outra ocasião pela polícia e teve que descer do carro e ser revistado; diante desses casos ele questiona: ‘Por que um indivíduo preto não pode dirigir um carro bom?’ [8]. O Sesi-SP (Serviço Social da Industria de São Paulo), instituição que mantem a orquestra Bachiana Filarmônica da qual Jean William faz parte, emite nota lamentando o ocorrido com o artista [9]. Em outros momentos, a polícia militar foi responsável pela morte de nove jovens em baile funk [10] e pela interrupção da gravação de clipe de artista transexual [11] e do ensaio de maracatu do grupo ‘Baque Mulher’ [12].

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