Minas Gerais, 13 de Junho de 2018

Escola de Belas-Artes da UFMG censura exposição com fotos de nus artísticos

‘Corparte: corpo e arte, parte e cor’ é trabalho de conclusão de curso da aluna Sylvia Triginelli, que retrata corpos nus de mulheres negras e gordas

A escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) censura a exposição de pintura e fotografia ‘Corparte: corpo e arte, parte e cor’, trabalho de conclusão de curso da aluna Sylvia Triginelli, que retrata corpos nus de mulheres negras e gordas [1]. Triginelli diz que o professor de fotografia, que também é vice-diretor da instituição, achou o projeto ótimo e afirmou que poderia ser exposto [2]. Logo após a montagem, o superintendente da escola de Belas-Artes questiona a aluna: ‘Você tem permissão?’ De quem? As fotos são de nudez explícita! Não podem ficar aqui’ [3]. Conforme relatos, o superintendente afirmou que a censura das imagens se deve ao fato de que o local em que estão expostas é um corredor de passagem de menores, em referência aos alunos da Cruz Vermelha que por lá transitam [4]. Em nota, o diretor da escola de Belas-Artes afirma que a decisão de ‘suspender temporariamente a montagem da exposição’ se deu porque a mostra não contém classificação indicativa, exigida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) [5]. Triginelli diz que a Escola nunca mencionou a necessidade de indicar faixa etária em exposições [6]. A decisão indigna alunos e professores, que realizam protesto silencioso [7]. Professor do Departamento de Artes Visuais da UFMG publica carta aberta criticando a atitude da universidade e cita guia de classificação indicativa produzido pela Secretaria Nacional de Justiça que permite classificação ‘livre’ para obras que contenham ‘nudez de qualquer natureza, desde que exposta sem apelo sexual’ [8]. A OAB-MG emite nota de repúdio ao ato de censura da instituição [9]. Triginelli afirma que a decisão decorre de uma ‘onda conservadora que está revivendo velhos preconceitos’ e que corpos fora do padrão ainda incomodam [10]. Após as manifestações de alunos e professores, a exposição é liberada [11]. Vale lembrar que no ano anterior, exposição foi alvo de investigação por supostamente violar o ECA [12]. Em 2019 e 2020, casos semelhantes de censura por nudez ocorrem no estado do Rio de Janeiro [13], no Distrito Federal [14] e na cidade de Balneário Camboriú [15].

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