São Paulo, 12 de Outubro de 2021

Prefeitura de São Paulo apaga grafite após pressão de vereador

Após críticas de Delegado Palumbo, Prefeitura decide apagar pintura de 2019, com tema do matriarcado, feita em muro da escola em evento promovido por centro cultural comunitário

Prefeitura de São Paulo remove grafite do muro da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Santos Dumont após críticas do vereador Delegado Palumbo (MDB) por ter sido considerada desrespeitosa [1]. A pintura consiste em uma mulher envolta em um manto mostrando o dedo do meio com a inscrição ‘Nossa Senhora do Matriarcado’ e as frases ‘minha crista é minha coroa’ e ‘queremos nossos filhos vivos’ [2]. Nas redes sociais, o vereador pediu a retirada do grafite afirmando que não permitirá ‘desrespeito a nenhuma religião’ e que a imagem ‘não é arte’ e ameaça pintá-la caso a prefeitura não tome providências [3]. Ainda, de acordo com Palumbo, a pintura retrata Nossa Senhora Aparecida fazendo um ‘gesto obsceno’ e equipara a pintura a um crime [4]. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação declara que ‘a imagem foi removida e reafirma o seu respeito a todas as religiões’ [5]. A grafiteira Mãe Correria, autora da pintura, explica que a EMEI não tem relação com os grafites do muro, uma vez que a pintura estava lá desde 2019 como parte de um evento organizado pelo Centro Cultural Pompeia [6]. Além disso, a artista nega que a imagem seja de Nossa Senhora Aparecida, afirma que ‘é a Nossa Senhora do Matriarcado’ e que o rosto da figura é de sua avó [7]. Ela ressalta que há uma ‘conotação simbólica’ no uso do manto que remete à santa, mas que a imagem não fala sobre religião ‘e sim sobre o matriarcado’, e que a figura ‘representa a padroeira das mães correria e abençoa o matriarcado de quebrada’ [8]. Mãe Correria relata que Palumbo fez ameaças à escola, que o conselho da instituição fez uma reunião para discutir o tema que foi hackeada e que pais e moradores a apoiaram [9]. Com a autorização da artista, a escola desenha uma flor em cima do dedo da Nossa Senhora do Matriarcado, mas a Prefeitura cobre com tinta a pintura e é lavrado Boletim de Ocorrência contra a escola [10]. Coordenador-geral do Centro Cultural Pompeia afirma que ‘a manifestação artística tem que ser livre’ e que ‘a comunidade não se sentiu desrespeitada’ [11]. A grafiteira cria petição online para que as pessoas ‘se manifestem contra esse episódio de censura e de falta de diálogo’ [12] [13]. Em setembro de 2019, grafite com o rosto de Greta Thunberg foi apagado [14] e, em janeiro de 2021, pintura em mural foi alvo de investigação por caligrafia de pixo [15].

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Fontes