25 de Julho de 2021

Casa Chico Mendes está fechada há 4 anos e sob risco de deslizamento

Desde 2018 a a antiga residência do líder seringueiro e ambientalista está fechada para novas obras, que não foram iniciadas, e está abandonada pelo governo federal.

A Casa Chico Mendes, no município de Xapuri (AC), local onde residia o líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes e sua família, está abandonada há quatro anos e com risco de desabamento, conforme atesta laudo de vistoria elaborado pelo Iphan [1]. De acordo com o documento, há risco de deslizamento de terra na área em que a casa está instalada e a madeira das cercas está apodrecida [2]. A casa é tombada pelo governo estadual desde 2006 e pelo Iphan desde 2007; durante o tempo que permaneceu aberta, funcionou como ponto turístico e um centro de memória do seringueiro, com objetos pertencentes a ele e sua família [3]. Em 2015, a construção foi inundada pela cheia do rio Acre [4], permaneceu fechada até 2017, quando reabriu para o público após algumas obras de revitalização [5]. No entanto, desde meados de 2018, a casa foi fechada para novas obras, que não foram realizadas, e ficou abandonada pelo governo federal, fechada para o público e cercada de mato do entorno que cresceu sem cuidado [6]. De acordo com o chefe da Divisão Técnica do Iphan, Arlan Souza, há dois projetos em andamento, um para inserir barreiras de contenção no terreno, que envolve obras também na rua e no calçamento, e um segundo projeto que trata da reforma estrutural da casa [7]. O primeiro deles é financiado pelo Iphan, mas a execução é da prefeitura, que ainda está no processo de licitação, e o segundo está tramitando administrativamente para captar recursos [8]. Para Souza, esse segundo projeto tem caráter mais emergencial por conta dos problemas de estrutura da casa e compromete a segurança do local, ele afirma que as obras devem acabar até o final de 2022 [9]. Vale lembrar que a filha de Chico Mendes fez duras críticas à forma como o governo Bolsonaro lida com a questão ambiental [10] e o ex ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desdenhou do líder seringueiro [11] e pretendia acabar com o ICMBio [12]. Em outros momentos, a Cinemateca brasileira sofre incêndio em decorrência da negligência do governo federal [13] e a gestão Bolsonaro ignora o risco de incêndio e desabamento do Centro Técnico Audiovisual [14].

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Análises sobre o caso

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