17 de Novembro de 2017

Presidente da EBC critica a atriz Taís Araújo por declarações contra o racismo

Laerte Rimoli, dirigente da empresa, zomba das denúncias feitas pela atriz sobre a violência sofrida por seu filho. Secretario de Educação do Rio de Janeiro afirma que ‘qualquer idiotice racial prospera’

Dias antes da celebração do Dia da Consciência Negra, o presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) – empresa pública federal – , Laerte Rimoli, compartilha postagens nas redes sociais ironizando declarações da atriz Taís Araújo sobre racismo no Brasil [1]. Em agosto, durante um evento, a atriz disse que seu filho, um menino negro, não poderá usufruir plenamente de sua liberdade, pois, no Brasil ‘a cor do meu filho é o que faz que as pessoas mudem de calçada, segurem suas bolsas, blindem os seus carros’ [2]. Rimoli repostou uma imagem com um homem saltando de um avião com a frase ‘Passageiro pula de avião ao constatar que Taís Araújo estava a bordo’ e outras duas imagens que zombavam da denúncia sobre racismo que seu filho sofre [3]. No dia 22, Rimoli exclui as publicações e escreve: ‘peço desculpas à atriz Taís Araújo e sua família por ter compartilhado um post inadequado em minha timeline’ [4]. O secretário de Educação do Rio de Janeiro, Cesar Benjamin, também critica a artista afirmando que ‘qualquer idiotice racial prospera’ e reclama de uma militância ‘rancorosa’ [5]. O ator Pedro Cardoso abandona entrevista ao vivo no programa ‘Sem Censura’ da TV Brasil em apoio à atriz [6]. Entidade pede o afastamento de Rimoli por suas manifestações racistas e ressalta que o presidente segue a política de desmonte da EBC promovida pelo governo federal [7]. Em junho de 2018, a Comissão de Ética da Presidência da República (CEP) aplica a punição de censura ética a Laerte Rimoli; de acordo com o colegiado, as publicações de Rimoli foram discriminatórias e afrontosas ao Código de Conduta da Alta Administração Federal [8]. Em 2019, o Palácio do Planalto não celebra o Dia da Consciência Negra [9]; no ano seguinte o vice-presidente da República e o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, dizem que não há racismo no Brasil [10] e, em 2021, Camargo pede boicote a filme de Lázaro Ramos [11]. Nesses anos, outros artistas são alvo de crítica por parte do governo federal, como a atriz Fernanda Montenegro [12], a cineasta Petra Costa [13] e o diretor Wagner Moura [14].

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Fontes