10 de Fevereiro de 2022

Secretário Especial da Cultura gasta 78 mil reais em viagem a Nova Iorque com lutador de jiu-jitso

Conforme o Portal da Transparência, o objetivo da viagem urgente era encontrar o lutador de jiu jitsu aposentado Renzo Gracie para discutir um projeto audiovisual

Mário Frias (Roberto Castro/Mtur)

Secretário especial da Cultura, Mario Frias, viaja para Nova Iorque (EUA) na classe executiva em caráter de ‘urgência’ para discutir temas culturais com o lutador de jiu jitsu aposentado e apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Renzo Gracie, como apurado pela imprensa nesta data [1]. Entre os dias 15 e 19 de dezembro, o secretário gastou 26 mil reais com passagens e 12,8 mil reais com hospedagem, bem como seu secretário-adjunto, Hélio Ferraz, nomeado em junho de 2021 a despeito de sua falta de qualificação técnica para o cargo [2], totalizando uma despesa de, aproximadamente, 78 mil reais aos cofres públicos [3]. Segundo o Portal da Transparência [4], o motivo da visita seria o fato de Frias ter sido ‘convidado pelo senhor Renzo Gracie para apresentar um projeto cultural envolvendo produção audiovisual, cultura e esporte’ [5]. Recentemente, ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim, que foi demitido por fazer uma campanha do governo federal com apologia ao nazismo [6] escreveu uma biografia sobre Gracie [7]. Nas redes sociais, Frias reage afirmando que não pagou ‘essa quantia por essa viagem’, que não voou de executiva e que a finalidade da viagem não ‘foi da forma como colocaram nas inverídicas manchetes’ [8]. O secretário diz que tem ‘todos os documentos que comprovam a mentira propalada por esses jornalistas’ e que está avaliando notificá-los para prestar explicações, de forma judicial, sobre essas fantasiosas informações’ [9]. Em outros momentos, Frias [10] e o presidente Jair Bolsonaro criticaram artistas pelo uso dos benefícios da Lei de Incentivo à Cultura [11]. Em vídeo, Frias e André Porciúncula, secretário de Incentivo e Fomento à Cultura, tentam explicar os gastos; de acordo com eles o objetivo do deslocamento era ‘conversar com o mercado da Broadway, porque é um mercado que se autossustenta’ e que os secretários viajaram ‘com o mínimo […] num hotel normal, preço normal’ [12]. Ministério Público e deputado federal acionam o Tribunal de Contas da União para que os gastos da viagem sejam investigados [13]. Advogados e a gestora cultural Mari Stockler protocolam ação população pedindo o afastamento de Frias e Ferraz e a devolução do dinheiro gasto e argumentam que a suposta urgência da vigem não foi justificada [14].

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