18 de Novembro de 2021

Presidente da Fundação Palmares reclama da linguagem do rap e do funk e critica Mano Brown

Para Sérgio Camargo a 'cultura' de usar ‘mano’ em todas as frases é reforçada nas letras do rap e do funk, além disso, o presidnte da Palmares ironiza a produção artista de Brown comparando-o com Machado de Assis.

Nas redes sociais, Sérgio Camargo afirma que ‘alguns ‘grupos’ acham que pretos têm que falar português ruim e usar ‘mano’ em todas as frases. Tal ‘cultura’ é reforçada nas letras do rap e do funk. A norma culta não é incompatível com a pele negra’ [1]. Ele também critica a ascensão do rap no país e ironiza Mano Brown, membro do Racionais MC’s, dizendo que num futuro próximo ‘Machado de Assis será visto como um insulto aos manos, preconceito elitista e opressão burguesa’ e Mano Brown será ‘eleito imortal e ocupará uma cadeira na Academia Brasileira de Letras’ [2]. Após repercussão negativa de suas falas, Camargo defende que ‘agora temos a figura do artista preto perfeito e intocável’ e que qualquer crítica é tida como ‘ofensa a todos os pretos do Brasil’ [3]. Em 2019, Camargo criticou Mano Brown dizendo que sua música ‘não tem valor, exceto para ingênuos e ignorantes’ [4] e, em 2020, afirmou que os rappers que ‘enveredam pelo caminho do crime, da apologia das drogas e da putaria, ou se deixam usar como capachos da esquerda’ jamais seriam contemplados com projetos ligados à Fundação Palmares [5]. Desde antes de sua nomeação para a Fundação Palmares, Camargo já acumulava declarações contrárias aos objetivos da instituição [6] [7]; durante sua gestão, ele não deu apoio à celebração do Dia da Consciência Negra [8], retirou nomes da lista de personalidades negras da instituição [9], pediu boicote a filme sobre racismo [10] e criticou artistas negros [11] [12] [13] por suas produções ou posições políticas. Vale lembrar também que, em 2019, operação policial matou nove jovens em baile funk [14] e, em 2021, rapper foi expulso das forças armadas por suas músicas [15] e a há diversos relatos de artistas de grafite, rap e funk que foram alvos de abordagens policiais e criminalização [16].

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Fontes